Thursday, August 27, 2009

BLUETOOTH LITERÁRIO E MUSICAL

Há mais coisas entre a música e a letra que nossa vilã consciência possa imaginar... A crítica literária gasta os dias lendo, relendo e categorizando períodos literários, dividindo-os, exemplificando-os dizendo que nessa época se amava mais do que em outra. A rima é mais presente aqui do que ali e muito mais do que acolá. E dizem com certeza absoluta que o “autor quis por que quis dizer isso e aquilo”... É uma espécie de bluetooth literário. Uma espécie de rótulo em estilos musicais. Uma coisa que o pessoal que fazia fanzine há uns quinze anos repelia incondicionalmente. A intenção ao compor é de cada um, sempre foi. Tanto na poesia quanto na canção. Se entendemos o recado, é coisa nossa, afinal o “dono da mensagem” é e sempre será o receptor. Ele entenderá o que quiser, indiferente do se quis realmente dizer. É um dos grandes desafios da comunicação sonora e escrita. Clareza e objetividade ou complicação e subjetividade? Legião Urbana “musicou” Camões; Inocentes fez o mesmo com Vladimir Maiakovski e tudo ficou como está... O que quero afinal? Apenas dizer que a música tem muito a dizer indiferente da época, do idioma e da intenção do seu “criador”... pois assim que a ouvimos e sentimos, podemos distorcer, entender, captar (ou não), destroçar e assimilar as mensagens (quando existirem) ali contidas.
Mago de Oz, Mágico de Oz ou Wizard of Oz é uma turma espanhola que faz um som legal. Li que o estilo deles é folk metal. Que seja! É legal e parece poesia musicada. O baterista é o “cérebro” da banda e faz uns trabalhos legais em carreira solo... “No me digas adios” tem mais de sete minutos e varia muitas vezes dentro desse tempo e o resultado é de um brilhantismo poucas vezes visto por este blogueiro. Exagero? Talvez. Mas foi o que “entendi” indiferente do que Txus di Fellatio quis me dizer...

Márcio Rockissimo

http://www.youtube.com/watch?v=SCg8deIjVfE&feature=related
Monte Castelo – Legião Urbana

http://www.youtube.com/watch?v=2I9t397xV-A
Eu – Inocentes

http://www.youtube.com/watch?v=Z2damveHNoA
No me digas adios – Mago de Oz

Thursday, August 20, 2009

"JÊNIOS DA MÚSICA"

Malcolm McLaren foi uma das principais figuras no meio musical; do meio rock. Conhecido como o “empresário do Sex Pistols”. Até hoje circula por aí que a banda tivesse sido uma fraude, que ninguém tocava nada, que Johnny Rotten cantava tanto quanto um jacaré sabia voar. Que nem Glen Matlock, nem seu substituto, Sidi Vicious, soubessem um acorde sequer! Mas o Sex Pistols foi criado para atingir um objetivo e este foi atingido: transformar a revolta em produto para ser comercializado na mídia. A ponta do iceberg apareceu...
Hoje podemos ver a geleira inteira, se quisermos... o amor, a revolta, a festa, a graça, a dança, o talento – ou a falta de – tudo é produto maquiado de música. Tudo. Como a música é o combustível que abastece a humanidade, temos na música o antídoto e o veneno. O balaio de gatos que virou a música faz-nos rever, inclusive, o próprio conceito de “música”.
Um amigo me mostrou, dia desses, o trabalho de um aluno do segundo ano do Ensino Médio sobre o que seriam as “diferenças entre o punk e o emo”. A “pesquisa” tinha menos de dez páginas e três delas eram dedicadas ao penteado de cada, segundo o trabalho, “movimento”. Achava que o único “movimento” emo fosse o das lágrimas. Os movimentos se dizem culturais – até o são de alguma forma – mas por trás disso temos os empresários, gênios do entretenimento que são como Midas: tocam tudo e querem que tudo vire ouro. Expressões como “metal melódico”, “doom metal”, “sertanejo romântico”, “poppy punk”, “axé music (inglês baiano)”, “hardcore”, “pop rock”, punk rock hardcore lá no alto zé do pinho... ops... enfim, rótulos sempre definiram os gostos musicais (aqui me prendo apenas neles) e o que se tornaria sucesso ou não... pouco se define pelo talento, mas pelo que aparentemente representa para os empresários. Latino, Lacraia, pirriguetes, brasílias amarelas, funks nervosos... e... o Sertanejo Universitário! Ueba... a H1N1 do verão passado agora se espalhou por todos os lados. Universitários, claro... cada vez mais essa turma tá pedindo passagem, assim como farmácia faz propaganda, em 90% dos casos, para velhos, o sertanejo precisou de uma roupagem nova! E quem está no mercado – seguindo a mesma lógica dos 90% das propagandas farmacêuticas – com grana e achando que está com tudo?
Então o “emo” e o “sertanejo universitário” uniram forças para criar mais uma bizarrice: tem uma banda por aí chamada Hardneja Sertacore (o nome, além de mostrar o estilo, escancara que a banda só poderá fazer a mesma coisa até o final da carreira) que assinou com a Arsenal Music do Rick Bonadio (jênio da música) que já nos brindou com Rouge, Mamonas Assassinas e Fresno. Aguardemos, pois agora ninguém mais segura esse chororô... ou seria xororó?